primeiro relacionamento: eu não sabia direito o que estava fazendo, mas era legal pq eu dava uns beijos, a gente se escondia atrás de um ônibus que ficava estacionado na lateral de uma igreja. conheci os amigos, a família. durou bem pouco, a gente terminou por bobeira, mas foi muito necessário esse ciclo, aguçou a minha vontade de liberdade, de ser eu mesmo. mas até hoje parece que foram anos. a gente ficou sem se falar um tempo, mas hoje somos muito amigos, trabalhamos na mesma área e contribuimos muito um com o outro. um amigo pra desabafos e críticas (tanto positivas quanto negativas). a gente se entende bem.
segundo relacionamento: eu já estava tendo problemas em casa, queria sair a qualquer custo (coisa de gente que faz 18,19,20 anos e acha que o mundo é uma ilusão construída durante a adolescência). o conheci na fila da loterica e foi como ganhar a mega da virada. gente finíssima, simpático, divertido, amigo, família. tão família que nosso primeiro encontro foi praticamente na casa dele e eu logo conheci todo mundo. mãe, padrastro, irmão, sobrinha, cunhada. família ótima, todo mundo muito alto astral. morava perto da faculdade onde mais tarde eu iria entrar (e logo sair). foi um baque pra minha mãe, pois o namoro anterior era muito escondido. daí rolou muito stress, muita gente envolvida. ligações com fake news sobre ele (minha mãe tinha muito tempo livre, não é possível haha). durou 3 anos. eu aprendi muito sobre mim, sobre a minha sexualidade, mas não aproveitei pra aprender a lidar com outra pessoa, eu era muito egoísta. fui morar na casa dele quando entrei na universidade. a mãe dele é um amor de pessoa, eu amo de graça até hoje, artista, fofa, pacífica, fantástica. o nosso relacionamento foi conturbado por conta dessas minhas descobertas, coitado. acabei despejando nele um mundo de incertezas, de vontades, de loucuras e certezas. terminamos, pois aquele ciclo também tinha que terminar, ele precisava respirar novos ares, assim como eu. hoje eu tento resgatar uma amizade, pois na época eu fui bem resistente e isso acabou fechando o tempo entre a gente. não guardo nenhuma mágoa e inclusive já deixei bem claro que ele pode contar comigo pro que precisar.
terceiro relacionamento: foi um impulso, o beijo era bom, conhecia uma grande amiga minha e já estava me stalkeando durante um tempo. foi uma diversão, a gente saia bastante, viajava, mas o meu rolê era muito diferente do dele. meu timing era outro. durou bem pouco tempo, na verdade se transformou num "coleguismo". a gente se fala, ele lá, eu cá. cada um no seu quadrado. torço muito pela felicidade dele, é uma pessoa ótima.
quarto relacionamento: considero o primeiro relacionamento maduro que tive. eu já sabia muito de mim, já tinha todas as idéias bem formadas. nos conhecemos num aplicativo, conversando sobre música, séries e alguns assuntos culturais. combinamos cinema, eu lembro até hoje dele chegando, subiu pela riachuelo, bermuda jeans, blusa branca, chinelo, enrolado entre o fone de ouvido e um sundae de chocolate. era um sonho. eu senti que muita coisa estava por vir, respirei fundo e a gente seguiu. não rolou de assistirmos o filme todo pois era véspera de natal e eu precisava comprar um presente de amigo oculto, daí lembrei que tudo fecharia cedo e a gente saiu correndo pra encontrar esse presente. era O Hobbit (e eu amo). daí a gente voltou no cinema outro dia e entramos atrasados, daí não pegamos o filme todo, entao marcamos pra assistir novamente pra ver o início. era sempre pretexto pra eu poder vê-lo, beijá-lo, tê-lo. um beijo que casou. Apresentei pros meus amigos e logo era reveillon, ele veio conosco. Na virada de ano, a gente bem bêbado, ele me pediu em namoro, eu fiquei de cara. Eu não esperava, apesar de querer muito. Aceitei e foi o ano novo (até hoje) mais feliz da minha vida. Eu estava com meus amigos e o cara dos - meus - sonhos ali, na minha frente, me pedindo em namoro. O próximo ano que seguiu foi crucial, a gente foi morar junto uns meses depois do início, depois de hotéis e motéis (12h que pareciam dias). Eu queria devorar cada pedaço dele, cada vontade ou ambição, queria que ele compartilhasse comigo até a alma. Conheci poucos amigos, alguns familiares. As vezes acho que eu sufoquei. Eu era o primeiro dele e isso me deixou totalmente desestabilizado, pq eu sabia o que isso significava, mas não queria enxergar. Ele passou pelo processo que eu passei, de dúvidas, vontades, incertezas e certezas. Eu já tinha a cabeça muito aberta e deixava muita coisa pra lá. Queria que ele compartilhasse tudo aquilo comigo, mas pra ele, esse compartilhamento iria me machucar, sendo que a omissão pra mim foi um veneno, e eu me intoxiquei numa nuvem de desconfiança obsessiva. Daí coisas ruins foram acontecendo, a gente foi se desgastando, a gente foi brigando. As incertezas começaram a gritar mais alto do que as certezas. Nesse meio tempo a gente foi se afastando. Após 1 ano de relacionamento, ele recebeu uma proposta e foi morar em outra cidade. A saudade nos uniu, mas as incertezas continuaram ali, perseguindo, ele ainda não compartilhava nada comigo (era uma guerra só minha, que não ia dar em nada, pois infelizmente essa questão de compartilhar desejos ainda é/era muito mal resolvida dentro dele). Empurramos esse ano, momentos bons e outros ruins, alguns bem ruins. No terceiro ano, ele voltou pro RJ e a gente quase não se via, eu trabalhava muito e ele estava num processo de entrevistas e buscas, além das aulas do mestrado. A gente começou a se entender, conversar e sintonizar os caminhos. Pra ser sincero, neste terceiro ano eu já havia entendido que o meu próximo reveillon seria sozinho, sem comemoração. Eu não queria acreditar e tentei maquiar tudo, tentei fingir que tava tudo bem. Mas eu já estava muito machucado. Hora ou outra toda a dor ficava muito evidente e eu o feria com ela. Não chegamos a completar 4 anos. Foi um fim bem doloroso, eu não queria deixa-lo ir. Doeu demais. Eu fiquei remoendo as situações que eu perdoei, que eu deixei pra lá, fiquei remoendo o tanto que eu batalhei pra perder aquela luta. Eu estava iludido com a idéia de que eu jamais conseguiria ser feliz sem ele. Mas essa ilusão passou, era só uma cortina tampando a minha visão do mundo que existe ao meu redor. Durante esses quase 4 anos, eu cresci bastante. Eu aprendi bastante, mas dessa vez, eu aprendi sobre o comportamento humano, sobre respeitar espaços e enxergar quando o rolê tá ou não sendo legal para todo mundo que estiver nele. Aprendi a ter coragem pra dizer o que sinto e o que precisa ser dito. O que nos segurou foi algo de outro mundo, a nossa conexão foi forte a ponto de eu sentir quando ele está mal, mesmo estando muito longe (e com ele acontece o mesmo). Depois de um tempo sem nos falarmos, após algumas agressões verbais, voltamos numa conversa de leve. Eu tenho me curado aos poucos, o tempo e a vida estão me ensinando que eu me basto. Que eu preciso ser feliz sozinho, preciso enxergar que sou meu, antes de ter alguém do meu lado - e que isso não é fundamental. Pra ser sincero, eu não sei mais se quero me relacionar, não sei se ainda tenho paciência ou vontade. Talvez um dia, mas acredito que esse dia vai demorar bastante pra chegar. O meu ascendente em sagitário tem dito mais sobre mim do que eu imaginava (I'm sorry Cancer).
Os dates proporcionados pelo tinder tem ido de mal a pior, eu não consigo mais ter aquele tato de início de relacionamento, de querer conhecer, de descobertas. Não tenho conseguido mais ler tanta hipocrisia, falso moralismo, falsos perfis e ficar quieto, uma vez que eu entendo que as pessoas tentam mostrar o seu melhor pra impressionar. O que me impressionaria hoje em dia, seria alguém me chamar pra tomar um litrão e logo no primeiro encontro reclamasse do trabalho, da vida, da família. Falasse coisas boas e ruins numa mesma intensidade. O que me impressionaria seria conhecer alguém que exibisse os defeitos no primeiro encontro e não tivesse vergonha de admiti-los.